Considerações sobre "presença da droga no ambiente escolar"
- por Maria Inez Ferreira Linck
Acredito que na
comunidade escolar sejam mais consumidas as drogas lícitas, entre
elas, o tabaco, álcool e cafezinho.
É possível
presenciar entre educadores e funcionários trocas de informações
referentes ao uso de medicamentos, desde um adequado para dor de
cabeça àquele ideal para emagrecer, muitas vezes não nos damos
conta que somos “viciados”.
Tive
experiência própria quanto ao uso de medicamentos antidepressivos e
sei a angústia causada ao desejarmos a suspensão. Tento diminuir a
ingestão do cafezinho, porém, o desejo vem à tona quando presencio
alguém bebendo ou sinto o aroma, então, imagino o quão difícil
deve ser abandonar o consumo de uma droga “mais pesada”.
Entre educandos
vamos encontrar o consumo de cigarro, álcool, energéticos, maconha,
crack.
O
conhecimento que se tem sobre os problemas que envolvam o uso de
drogas na escola limita-se a casos pontuais, como mãe ou pai usuário
de crack, alcoolista; aluno suspeito no repasse de drogas.
Neste
ano, houve a situação de um aluno que a família precisou "fugir"
do bairro em razão de ameaça pelo envolvimento com drogas. Assim,
não foi feita de forma sistemática uma avaliação nesse sentido.
Apesar de não termos um acesso às informações quantitativas sobre
o consumo de drogas no local, deve ser possível fazer uma estimativa
da prevalência de consumo ocasional e contínuo. As drogas mais
consumidas e ofertadas são o cigarro e o álcool, podemos
classificar o usuário como funcional.
Já
houve caso de aluno encaminhado ao Conselho Tutelar, em razão
de
suspeitas de faltar à escola para consumir ou repassar drogas;
presenciou-se repasse de drogas nas imediações do colégio e ao ser
comunicado o fato a policiais não houve pronto atendimento. Não
temos mais o atendimento da "Patrulha Escolar", algo que
inibia atitudes delituosas.
As
drogas consumidas, com certa frequência, na comunidade escolar podem
ser classificadas em:
Depressoras
da atividade mental: Álcool; antidepressivos(benzodiazepínicos);
Estimulantes
da atividade mental: tabaco; café (cafeína)
Perturbadoras
da atividade mental: maconha, crack
As
fontes de informações são comentários entre alunos que são
ouvidos por professores e/ou funcionários; agrupamentos de alunos
com desconhecidos nos arredores do colégio, causando suspeita e
posterior averiguação (direção, equipe pedagógica observa
entrada e saída dos alunos).
As
drogas não são sempre ruins, pois temos aquelas que possuem fins
medicinais. Assim, geralmente promovem mais bem que mal, devendo
considerar as possíveis reações, pois há efeitos colaterais
piores que o mal estar em tratamento. Ao meu filho, por exemplo, foi
prescrito sulfato ferroso, visto estar com um pouco de anemia, no
entanto, teve uma reação alérgica, surgiram muitas feridas, assim,
houve necessidade de suspender o uso. Mas, devemos considerar, mesmo
assim, que há benefício nesta e em outras drogas.
Temos
nas escolas o consumo de uma droga muito disseminada nos últimos
anos: a ritalina. Este medicamento é prescrito para alunos
diagnosticados com déficit de atenção. Ainda, encontramos
preconceito mesmo em relação a este tipo de droga, pois há um caso
específico na escola que sugeriu-se à mãe o encaminhamento do
filho para verificar a necessidade do uso de medicação, houve
negativa de sua parte, alegando que o filho era normal. Em nenhum
momento, cogitou-se que ele não seria normal, porém esse
posicionamento parece demonstrar preconceito em relação a
medicamentos prescritos por psiquiatras. Isso, na verdade, é comum,
pois geralmente as pessoas não assumem de forma tranqüila a
necessidade do uso de medicamentos (drogas) para controle de
transtornos mentais. Sem dúvida, nesses casos o uso de drogas é
adequado e necessário.
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